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segunda-feira, 5 de março de 2012

Cante Jondo de Sanlucar



Álvaro Sanlucar bordou o toureio hoje em Olivença.
Com cerca de 3/4 de casa, foram lidados seis novilhos de José Luís Marca, nobres, com pouca força e a virem a menos durante a lide.
Os três novilheiros debutavam com picadores, todos mostraram boas maneiras e vontade de ir longe, mas houve um que se destacou dos restantes, Álvaro Sanlucar!
Tomás Angulo recebeu o terciado jabonero que lhe tocou em sorte em primeiro lugar com bons lances de verónica. Houve um certo desconcerto no tercio de varas, indo o inválido novilho três vezes ao cavalo! Na faena de muleta Angulo mimou as francas e nobres investidas do seu oponente, sacando boas tandas em redondo e alguns naturais de boa traça. Matou de uma estocada de efeito rápido e às suas mãos foi parar a primeira orelha da feira.
No quarto, um castanho mais forte e de investidas brusca no capote, tentou desenhar um ramalhete de verónicas, mas o novilho metia mal a cara e o intento foi em vão. Na muleta Angulo tentou tirar água de um poço seco, as investidas do oponente eram curtas e com a cara alta. O novilheiro mostrou valor e arrimou-se ao novilho. Matou de estocada e um descabelho escutou uma ovação desde os tercios.
Tomás Campos lidou um rematado e encastado negro em segundo lugar, recebeu de capote à verónica mas não se acoplou às investidas do oponente. O tercio de bandarilhas deste novilho foi espectacular, mostrando Montóliu com se põem bandarilhas com verdade e sem artimanhas, reunindo na cara e cravando no alto morrilho do novilho. Escutou forte ovação sendo obrigado a desmonterar no fim do tercio com o terceiro da quadrilha de Tomás Campos. Na faena de muleta, Campos submeteu com mando as enraçadas investidas do seu oponente e sacou um boa tanda em redondos, pelo lado esquerdo a faena foi mais intermitente. Matou de uma boa estocada e a segunda orelha da tarde foi-lhe concedida. Forte ovação para o novilho no arraste.
O quinto foi um jabonero feiote de tipo e com falta de força, metendo mal a cara nos capotes. No tercio de bandarilhas voltou Montoliu a ser protagonista, descobrindo ao novilheiro o bom piton esquerdo do novilho. A faena foi baseada no lado esquerdo, Campos executou naturais templados correndo bem a mão, pela direita o burel tinha veneno no piton, cortando a viagem e derrotando alto. Falhou a matar e perdeu a orelha que lhe podia ter aberto de par em par a Puerta Grande de Olivença.
De Sanlucar de Barrameda veio um jovem de nome Álvaro e a tarde foi sua, pelas maneiras, vontade, temple e bom toureio demostrado. O terceiro da tarde era um taco, baixo, rematado e bom tipo. Foi recebido à verónica e rematado com um bonita media, os olés foram rotundos. Na muleta o novilho apontou qualidade mas veio a menos. Sanlucar começou a faena com passes por baixo; Em redondo imprimiu temple, mas foi pela esquerda que brotou o toureio puro, os naturais foram profundos, largos e lentos, os melhores aromas do toureio brotaram nesta faena e os olés foram sentidos. Matou de estocada desprendida e uma orelha lhe foi concedida pelo presidente.
O sexto foi outro jabonero, que nos primeiros tercios parecia um inválido, foi recebido por templadas e garbosas verónicas. Na muleta Sanlucar foi confiando o novilho e inventou uma faena quase impensável. Os naturais foram profundos, dados de um em um, mas calaram forte nos tendidos. Atenção a este toureiro, a sua graça, a sua profundidade têm algo de esquisito e de muito Andaduluz; rematou a faena com um Kikirikí e à memória me veio o Faraon de Camas. Matou de uma grande estocada, da qual saiu prendido dos pitons do novilho e as duas orelhas foram parar às suas mãos. Saiu em ombros entre olés e vivas ao toureio de cante jondo!

Miguel Ortega Claudio
5-3-2012 11.05am